lá na fazenda dos seus pais...
A fazenda era pequenininha,
pobre,
mas rica de sentimento...
(E o que importa é mesmo e sempre o sentimento...)
Tinha lá,
três ou quatro gansos
grandes,
pretos,
brancos,
coloridos.
Meu tio os pagava
e os colocava para correr atrás da gente...
Os animais corriam,
e inocentemente bicavam as nossas bundas!
A gente sentia apenas uma pequena e leve dorzinha...
Tudo muito suportável!
Enquanto isso,
o meu tio,
ficava em pé no meio do terreiro,
de braços cruzados,
morrendo de rir...
(Ah,
como ele gargalhava!)
Nós morríamos de medo,
medo tão inocente...
Um medo que toda a criança
às vezes sente!
E os gansos continuavam a nos
morder, morder, morder e morder...
Eo meu tio
a gargalhar, gargalhar gargalhar e gargalhar...
Eu,
até hoje,
passados tantos anos,
sem nenhum sentimento de revolta,
eu ainda o cobro:
“Bota ganso pra morder
o seu rabo,
ô filho da puta!”