domingo, 31 de agosto de 2025
Camisola Branca
É a primeira vez
que eu estou na praia
do forte,
que eu vou a praia do forte,
depois da sua morte...
Por milagre ou não,
parece,
aparece,
reaparece,
acende,
reacende,
surge,
resurge,
sobre areias,
sobre nuvens,
sobre estrelas,
sobre luas,
sobre pedras,
sobre rochas,
sobre mares,
sobre oceanos,
sobre marés,
sobre petalas,
sobre flores,
sobre cores,
sobre rosas,
de branca camisola,
um senhor andando,
um senhor caminhando,
um senhor trafegando,
voltando e indo,
indo e voltando,
bem na minha direção
ou nao...
De repente,
a camisola branca,
simplesmente some,
desvanesce num infinito...
(Onde a curva,
não faz rio...)
Como encontramos desencontramos
Estava eu de bike na lagoa,
você comprando num florista...
De repente,
quase no meio,
damos mó encontrão!
Eu caio de bike,
você no chão.
Corpo todo sangra...
sangues se misturam,
pétalas flores cores caules ramos...
Foi assim,
bem assim,
que nos apaixonamos...
Depois,
segundos,
desapaixonamos...
Sua Face
Consigo
ver
enxergar
perceber
compreender
sob bilhões de gotas de chuva
miúdas
barrentas
transparentes
opacas
translúcidas
sua face mais-que-perfeita
sua face mais-que-direita
sua face mais-que-linda
sua face mais-que- querida
sua face mais-que-amiga
sua face mais-que-formosa
sua face mais-que-dengosa
sua face mais-que-gostosa
sua face:
Ângela
&
cal
Cadeira Vazia
Cadeira enorme,
imensa,
vazia,
marrom,
madeira,
no centro da sala,
onde ele sempre se sentava.
Sem ele,
agora,
nada...
Ao fundo,
toca samba triste,
Lupicínio Rodrigues!
Cinco
Hoje,
raiei as cinco.
Vi todos os sóis,
acordando sobre todas as águas...
Apenas privilégio de poucos,
apenas privilegio dos loucos!
sábado, 30 de agosto de 2025
Rodrigo de Freitas
Nossa...
Como ela tá lindinha
nesta tarde vazia...
Todos os pintores do mundo,
(desencarnados,
é claro...)
toda a lagoa,
pintam
e repintam
na boa!
Jogos
dica para excel:
sabe batalha naval-
meio caminho andado...
dica para batalha-naval:
sabe excel-meio
caminho andado...
quinta-feira, 28 de agosto de 2025
Délia (Para Adélia Prado)
"Constantemente amanhecendo?"
Délia,
que massa!
Você simplesmente construiu uma das
figuras que na minha humilde opinião,
é umas das mais ricas,
mais lindas do mundo!
Apenas leigo,
beijo!
Insônia
Eu não sei se abro um livro,
eu não sei se fecho os olhos.
Eu não sei se fecho um livro,
eu não sei se abro os olhos.
Por enquanto é meu livro,
por enquanto são meus olhos.
quarta-feira, 27 de agosto de 2025
Geneversão
Gostaria,
adoraria,
amaria.
Reproduzir,
refazer,
reviver,
cena com Gene kelly,
cena de Gene Kelly.
Quando enlouquecer,
quando endoidecer,
por todas de uma vez,
vao ver voces!
Mínima impressão temporal
Seus olhos,
são da cor dos temporais,
meu amor,
perfeita
e absolutamente...
Sobre mim,
choverais,
eterna
e absurdamente!
terça-feira, 26 de agosto de 2025
Cabo Frio Almost Revisited (Para Eduardo Jorge Féres)
Bem que eu tentei ir
a Cabo Frio,
depois da morte...
A cidade mudou de lugar,
a cidade saiu do lugar,
a cidade desviou de lugar,
a cidade mudou,saiu, desviou
da rota...
Por favor,
alguém arrota?
Apê
Há anos
morávamos num apê
na tijuca.
Tinha eu 5 a 9 anos...
Eu achava tudo aquilo
enorme,
vasto,
imenso,
intenso!
Praticamente um parque de diversão!
Depois,
eu,
com mais de trinta,
revisitei o bendito apartamento.
Entrei
e tomei um baita susto...
Ué,
que coisinha mais pequena...
Aqui não cabe nem formiga...
Era aqui onde eu morava
nos anos oitenta,
começo dos noventa?
Depois da revisitação,
uma coisa pelo menos
eu aprendi,
compreendi.
Quando a gente é pequeno,
bem pequeno,
qualquer lugar,
qualquer apartamento,
pode ser enorme,
pode ser imenso,
pode ser vasto..
Mas enorme,
imensa
e vasta
ainda,
é a nossa ilusão!
Falsa Crença
Vovô morria
bem na nossa cara...
Eu não acreditava...
Fingia,
mais nada...
(Eu não era o único...)
Casalma
Paredes
surdas
cegas
mudas
paralisadas
inexatas
portas
janelas
fechadas
trancadas
lacradas
armários
embutidos
não
embutidos
velhos
puídos
corroidos
desgastados
desgraçados
tudo
alma
domingo, 24 de agosto de 2025
Papo com um vendedor de sapatos, aqui na esquina, da voluntários...
Chamei aquele velhinho,
que vende sapatos numa lojinha aqui na
esquina da Voluntários
pra levar um papo...
(Sempre estive e estou muito sozinho...)
Falamos muito sobre a vida...
Nosso lero foi bem rendoso.
Adorei,
amei,
e sempre voltarei,
a momento qualquer...
A maioria
do povo,
sempre vai ser,
sempre foi,
sempre são,
sempre serão,
muito,
altamente,
extremamente,
infinitamente,
ausentes
e indiferentes...
Comprei um par em suas mãos,
de repente,
nem sei porquê,
lembrei-me do Quintana.
Sai por aí,
voando,
flutuando,
de forma muito bacana.
Vi do alto todos os cabarés,
quando coloquei sapatos novos nos pés!
sábado, 23 de agosto de 2025
Babi sempre Babi
Gatilda,
Gatonilda!
Eu não fiz engenharia
E nem arquitetura...
Não entendo de belezura,
de formozura,
tão pouco de candura...
Mas compreendo o que Deus fez...
Se eu for medir as distâncias exatas
Dos braços e das mãos,
Eu prefiro sempre o coração...
Abraço,
Beijo,
Rapadura,
Goiaba,
Goiabada
E queijo...
Se você não achou esse poema legal,
Peça um melhor pro Igor Leal...
Tchau,
Tchau!
Gabis (Para Maria Gabriela Eloy)
Gabriel Garcia Marques,
escreveu cem anos de solidão.
Dia 20 de Dezembro,
te darei de presente,
com a melhor intenção,
de todo o coração
e muita emoção!
Aguiar. (Para Fernanda Aguiar)
Aguiar...
Aguia,
ar...
(Apenas um poema minimo, singelo e concreto,
pra tu...)
sexta-feira, 22 de agosto de 2025
quinta-feira, 21 de agosto de 2025
Deus C&A
Nossa...
Como és bonita,
como és bela,
como és linda...
Deus,
lá de cima,
abusa & usa,
borda & pinta,
quando não precisa!
Apenas uma pequena e singela lembrança de um infinito cantor (Para Emílio Santiago)
No ano de 2013,
exatamente,
no dia
23 de março,
Emílio ficou
sem Thiago...
Estou muito triste,
estou muito sentido,
estou muito chateado!
quarta-feira, 20 de agosto de 2025
Minha mais nova canção do berço
Aqui,
ao lado,
existe um imenso
e vasto canteiro de obras,
onde mil operarios trabalham,
labutam,
com seus mil e um maquinários...
Num quartinho,
da janela,
bem juntinho,
no berçinho,
dorme o meu filho...
Como são estridentes os operários!
O filhinho,
rosadinho,
gorduchinho,
pequeninho,
tem olhos fechados,
infinitamente
serenos
e sossegados...
Ele é tão silencioso...
(Agora, sempre e para sempre!)
Eu até consigo escutar,
imaginar,
esta mínima brisa que corre por dentro de todo o apartamento...
Eu consigo escutar,
imaginar tambem,
todas as aguas que correm
e percorrem todos os canos
dentro do concreto branco,
de todos os tetos
e de todas as paredes!
Posso,
consigo,
escutar
e imaginar,
as eletricidades
que passam,
correm
e percorrem
em todos os fios
de todas as paredes
e de todos os tetos
do apartamento.
Meu filho,
está aqui,
num berço,
sempre sereno,
moreno
e pequeno,
para não atrapalhar
a paz dos operários
que trabalham na obra aqui ao lado!
Meta (com duplo sentido, é claro!)
Estou sem inspiração,
sem criação,
sem motivação para
escrever um poema hoje...
Eu prometi para mim mesmo,
que eu escreveria pelo menos um poema,
por dia,
todos os dias!
Por não rolar,
por não pintar inspiração para escrever um poema hoje,
como foi por mim mesmo,
para mim mesmo,
o prometido...
(talvez,
para um futuro livro...)
Eu acabo de escrever,
muito sem querer,
um poema hoje,
o poema de hoje!
Metapoema para Ju e Tom (para Júlia e Thomas Féres)
Ah...
Então tá bom,
então tá certo,
então tá ok...
Perdoa o tio,
perdoa...
Fiz um para o Lucas,
fiz outro para o Rafa...
Seria tremenda injustiça,
covardia,
se eu não fizesse pelo menos
um,
para vocês,
só para vocês,
por todas,
de uma vez!
terça-feira, 19 de agosto de 2025
Narcisismos
Um dia,
um cachorro,
como buda,
encostou num
chão frio a bunda.
Olhou bem fixamente
no fundo dos olhos meus.
E eu,
bem no fundo dos olhos seus.
Ele nada falou,
eu nada lati.
Como se nos mirássemos,
eternamente,
num infinito espelho...
Não se sabe qual
é o mais humano,
não se sabe qual
e o mais cachorro,
nao se sabe qual
é o mais gato!
segunda-feira, 18 de agosto de 2025
Face Duas
Lua,
acaba de distanciar,
separar,
rachar,
cortar,
quebrar,
sua face bem ao meio...
Eu já não sei
qual mais linda!
sábado, 16 de agosto de 2025
Luana
Fui morar no morro com Ana,
para namorarmos
a mais bela,
a mais linda lua...
De repente,
naquele vasto breu,
iluminou-se toda a noite,
toda a treva escura.
Quando Deus tudo resolveu,
colocando sempre as duas juntas!
quarta-feira, 13 de agosto de 2025
Apenas mais um pensamento poético e pequeno
De seus olhos,
saem,
derramam,
escorrem,
jorram,
brotam,
borram,
lágrimas e tintas,
lágrimas mais tintas,
lágrimas com tintas,
lágrimas de tintas...
E pintas,
como pintas,
todas as pedras que andas,
todas as pedras que pisas!
terça-feira, 12 de agosto de 2025
Eterno retrato de Dorian Grey
O tempo envelheceu.
Eu não envelheci.
A vida passou.
Eu não passei.
Sou eterno retrato de Dorian Grey!
Delírio dum anãozinho
Eu gostaria de ser apenas um anaozinho...
Um daqueles bem bacanas,
um daqueles bem sacanas...
Para quando você se deitasse,
se debrusasse sobre a cama,
fechasse os olhinhos,
sorrisse,
rise com seus lábios,
com seus olhos bem levinhos.
Eu me penduraria,
balancaria em seus cabelos sobre a coberta,
sobre a fronha.
E na ponta dessa cama,
infinitamente,
os escalaria,
tão meus,
tão seus,
tão breus...
segunda-feira, 11 de agosto de 2025
Estilingue (Para Eduardo Jorge Feres Filho)
Estávamos na fazenda...
Meu pai me ensinava a fazer estilingue.
vovô irado:
" Não vai matar passarinho não hein?"
Tinha uma casinha de madeira bem velhinha, bem desbotada, bem desgastada, bem pequeninha, bem pobrinha,
pendurada num tronco grosso e torto de uma árvore no centro do terreiro.
Um sol brilhava muito alto e lindo,
(infinitamente...)
Do lado direito,
Outra árvore muito mais alta e linda ainda,
Coberta por folhas, flores, frutos e frutas...
Meu pai virou a cabeça na minha direção,
olhou no fundo dos meus olhos,
calou,
abaixou a cabeça,
fechou a cara,
do canto do olho escorreu,
caiu uma lagrima,
inundou todo o terreiro,
inundou o mundo,
inundou o infinito...
Meu pai jogou o estilingue no chão,
chão coberto por um barro vermelho,
no dia passado,
como chovia...
De repente toda a fazenda se encheu de passarinhos.
Tao lindos,
tao coloridos...
sexta-feira, 8 de agosto de 2025
Seis e meia
Tomo café-com-leite
bem quentinho,
bem docinho,
bem cherosinho,
bem gostosinho.
Ali,
na esquina,
mesmo.
Numa padaria bem pobrinha,
bem vazia,
bem vadia.
A fim de comecar,
recomecar,
(Sempre e infinitamente...),
a dor dos meus dias,
de todos os meus dias!
quarta-feira, 6 de agosto de 2025
Cena mais uma
Fazenda enorme,
imensa...
Um velho casarão.
(Lembra blues do Chico...)
Fogueira acessa,
minimamente crepitando em várias grossas e finas madeiras...
Eu sentando numa cadeira.
Aos meus pés,
um simples vira-lata,
que,
bem rente ao chão,
sobre um tapete persa,
de olhos sempre meio fechados,
respira e inspira infinitamente cansado...
Eu,
fumando um cigarro,
sob a luz de uma vela,
lendo: “Maça no Escuro"...
Lá fora,
um pouco após a janela,
lua linda,
que tudo,
absolutamente ilumina...
Lua muito cheia,
chorando mil estrelas
ao me ver
e ouvir,
recitando esses versos,
bem rente ao parapeito da janela...
Transformando a noite,
a madrugada,
ainda mais colorida...
Por causa disso tudo,
por conta disso tudo,
eu questiono ainda:
“Por que uma espingarda,
naquela parede pregada?"
(Sempre Witman!)
sábado, 2 de agosto de 2025
Inscrição para o letreiro de um ônibus
Eu vivo pensando,
imaginando aquele avião,
aquele bongue,
aquele jato,
aquele super-sonic
pegando,
entrando num ônibus,
(qualquer ônibus...)
só para me encontrar
num fim de semana,
no Botafogo Praia Shopping...
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