segunda-feira, 11 de agosto de 2025
Estilingue (Para Eduardo Jorge Feres Filho)
Estávamos na fazenda...
Meu pai me ensinava a fazer estilingue.
vovô irado:
" Não vai matar passarinho não hein?"
Tinha uma casinha de madeira bem velhinha, bem desbotada, bem desgastada, bem pequeninha, bem pobrinha,
pendurada num tronco grosso e torto de uma árvore no centro do terreiro.
Um sol brilhava muito alto e lindo,
(infinitamente...)
Do lado direito,
Outra árvore muito mais alta e linda ainda,
Coberta por folhas, flores, frutos e frutas...
Meu pai virou a cabeça na minha direção,
olhou no fundo dos meus olhos,
calou,
abaixou a cabeça,
fechou a cara,
do canto do olho escorreu,
caiu uma lagrima,
inundou todo o terreiro,
inundou o mundo,
inundou o infinito...
Meu pai jogou o estilingue no chão,
chão coberto por um barro vermelho,
no dia passado,
como chovia...
De repente toda a fazenda se encheu de passarinhos.
Tao lindos,
tao coloridos...
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