segunda-feira, 16 de março de 2026

Mar de vinho

Cadáveres espalhados pela praia,

pela areia…

Muitos corpos,

muitos soldados,

deitados,

estirados,

lançados,

jogados,

deixados de lado...

Homens com balas alojadas nos corpos,

Nas almas.

Defuntos que as ondas levam

 e trazem...

Em cima,

em baixo,

 por todos os lados,

bala come...

Come principalmente a vida,

vida que,

 a partir de agora,

nada vale.

As viúvas e os órfãos esperam cartas

que sempre chegam,

revelando a  infelicidade,

e a  dor de ter perdido tudo.

as águas,

levam,

lavam

e trazem  infinitamente,

Num mar de vinho,

mil corpos,

mil cadáveres,

de mil soldados,

de mil defuntos...

Eu escrevo esse verso,

enquanto me embriago!

(Me embriago para nunca,

para jamais esquecer...)

Enquanto no estômago,

de corpos,

de cadáveres,

de defuntos,

todo eu embrulho!

 (Defuntos, cadáveres, corpos, mortos, boiam, afogam, naufragam, eterna e infinitamente num mar de vinho...)


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