Hoje eu acordei depois
do meio-dia!
A culpa é daquele galo,
que não canta,
que não cantou,
que não cantava,
que não cantará,
que não cantaria...
Hoje eu acordei depois
do meio-dia!
A culpa é daquele galo,
que não canta,
que não cantou,
que não cantava,
que não cantará,
que não cantaria...
Um fogaréu crepitando nas madeiras.
Muitas lenhas vermelhas, marrons e pretas
Num vão dentro do fogão...
Várias panelas de barro e aço,
Cujo primeiro alimento é sempre
um angu cozinhando amarelo
numa panela bem velha...
Uma galinha caipira
recheada com quiabo...
Uma empregada com uma colher de pau,
mexendo
e remexendo em todas elas....
Um feijão bem preto,
um arroz bem branco.
Horas depois,
Ela coloca as panelas no centro da mesa,
abre as tampas,
e o cheiro vai até infinito...
O avô sentando na cabeceira
sorrindo,
rindo,
pisca um olho fazendo mil graças...
A avó sentada na outra ponta,
é séria,
é grave,
nada fala...
Ao lado,
os pais,
os netos,
os tios,
os primos,
os sobrinhos...
O cheiro
e o gosto de eternidade
Transcendendo tudo isso!
Uma estrela sombreará,
outra estrela iluminará
dois caminhos.
tão desconhecidos,
tão distintos,
de tão curto,
de tão longo
o destino!
Bisa me chamou no banheiro.
Olhou para mim,
Arregalou os olhos:
“Olha,
Meu filho,
Não tem mais nada não...”
Retirou a de baixo,
Depois a de cima.
Eu nunca tinha visto coisa mais linda!
Um no violão,
Outro na sanfona.
Noite infinitamente breu.
Como se baixasse uma lona negra,
conduzida pelas mãos de Deus!