segunda-feira, 28 de julho de 2025

Depois dos quarenta

Depois dos quarenta, eu não consigo imaginar uma casa sem livros. Como não consigo imaginar, livros sem casa. Como não consigo imaginar, um corpo sem alma. Como não consigo imaginar, Uma alma sem corpo. Como não consigo imaginar, Um corpo sem livros. Como não consigo imaginar, livros sem corpo. Como não consigo imaginar, livros sem alma. Como não consigo imaginar, alma sem livros. Como não consigo imaginar, casa sem livros, sem corpo e sem alma. Como não consigo imaginar, Livros, sem casa, sem corpo, sem alma. Depois dos quarenta, com a impossibilidade desse imaginar, tudo de repente, fora de mim, tudo de repente, dentro de mim, tudo de repente, além de mim, Tudo de repente, aquém de mim. Tudo de repente, dentro de mim, do nada, desaba... Corpo, alma, livro e casa... Cai tudo de repente sobre mim, cai tudo de repente dentro de mim, cai tudo de repente em mim, cai tudo de repente além de mim, cai tudo de repente aquém de mim. Tudo de repente, por fim, em fim, me libera, me liberta... Num susto, num espanto, num espasmo, num nada, entendeu, galera?

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